Guarulhos de outros tempos

September 11, 2017

 

Essa aconteceu no final do ano de 1978.  Era antevéspera de Natal, e dois colegas de trabalho combinaram que após o término do expediente iriam juntos fazer as compras de presentes para os seus familiares.

Naqueles tempos nostálgicos, o comércio central de Guarulhos não tinha muitas opções como atualmente. Eram poucas as lojas que ofereciam artigos ou produtos aos guarulhenses que não queriam se deslocar ao centro da capital paulista ou ao bairro da Penha. Não existiam o calçadão, os ambulantes com os seus produtos “genéricos”, nem mesmo o Shopping Póli.

No entanto, a Rua Dom Pedro, tal qual ainda é hoje, era a principal localização comercial da cidade. Constituída de grandes lojas, como a DUCAL e a BURÍ, a Sultam, a Casa Caça e Pesca, depois Comercial Mesquita, além da Casa Póli. Essa antiga e importante via central de Guarulhos mesclava esse tipo de comércio com padarias, bares e botecos.

E os dois colegas, um conhecido pelo apelido de “Mutreta” e o outro por “Shell” começaram suas compras. Eram presentes para os filhos, as filhas, as esposas, a mãe, e entre uma compra e outra os dois paravam em algum boteco ou padaria e pediam uma cachacinha, em outro uma cerveja, depois um conhaque, um vinho, etc. E assim iam bebendo e comprando presentes.

Há uma crendice popular que diz que não se deve misturar bebidas alcoólicas, pois o efeito é maior. Não sei se é verdade ou não, mas o fato é que eles estavam cada vez mais alegres. E de tão bêbados, já tinham acrescentado em suas listas de presentes os irmãos, as irmãs, os cunhados, as cunhadas, as primas e até as sogras. Acho que naquelas alturas da “alegria”, já fazia parte da lista de candidatos a presente: o chefe, o encarregado, e até alguns colegas de trabalho.

Já eram quase dez horas da noite, e após a última compra os dois pararam numa outra padaria e tomaram a “saideira”, misturando novamente outro tipo de bebida. Seguiram cambaleando para o ponto de ônibus. E os dois, que moravam no Jardim São João, exaustos pelo dia de trabalho (e pelas compras), e já cansados de esperar o ônibus que nunca aparecia (naquela época, os coletivos passavam de hora em hora, quando passavam), as sacolas com os presentes parecendo pesar uma tonelada.

Como tinham tomado “todas”, um deles, o Shell, já estava até passando mal. Foi aí que o Mutreta, cansado de esperar pelo ônibus que nunca chegava, propôs ao colega em voz alta (como faz todos os bêbados): Shell, vamos tomar um táxi? E este, tonto pelo efeito do álcool, entendendo tratar – se de um convite para tomar mais uma “branquinha”, em voz alta também responde: Tá louco Mutreta? Não vê que não aguento misturar mais nada?

 

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