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Opinião: A relação universidade-cidade, o caso da Unifesp em Guarulhos

October 23, 2017

Daniel Arias Vazquez

Professor doutor da Unifesp e ex-Diretor Acadêmico do campus Guarulhos (2013-2017)

 

Marineide de Oliveira Gomes

Professora doutora aposentada da Unifesp; ex-vice-diretora do campus Guarulhos (2013- 2016)

 

No início de 2013, quando nos disponibilizamos como candidatos à Direção Acadêmica do campus, propusemos como eixos de atuação a consolidação do campus em Guarulhos (com a construção do novo prédio), a revisão do Projeto Pedagógico, com maior integração entre a universidade e a sociedade, e a melhoria das relações institucionais e humanas, esgarçadas devido ao debate interno sobre a permanência ou não do campus no Pimentas e em Guarulhos. Vencemos o processo de consulta interna com o desafio de implantar este projeto de universidade na região e na cidade.

 

Durante nosso mandato [2013-2017], foi iniciada e concluída a obra do novo prédio acadêmico, cujo investimento foi da ordem de R$ 60 millhões de reais e para isso foi necessária a mudança temporária do campus para o centro da cidade, o que demandou no retorno à região do Pimentas, um trabalho de reterritorialização, porque o entorno do campus também havia sofrido mudanças. Nesse período, houve também um aumento do número de servidores diretos, cuja massa salarial é de quase R$ 40 milhões por ano, com mais R$ 6 milhões/ano de contratos de empresas terceirizadas. Trata-se de uma forte injeção de recursos na economia local, que não ocorreria caso a universidade não permanecesse em Guarulhos. Vale registrar e agradecer o esforço da Reitoria da Unifesp na busca de recursos junto ao MEC e a prioridade dada à obra de Guarulhos, que não sofreu paralisação, mesmo com o agravamento da crise econômica.

 

Ao nosso ver, o principal benefício da existência de uma universidade pública no município de Guarulhos é a produção e difusão de conhecimento científico, cuja contribuição para a educação, a cultura e o desenvolvimento local são incalculáveis. O campus Guarulhos que iniciou suas atividades com 40 docentes e 400 estudantes de graduação em 2007, possui atualmente 240 docentes e cerca de 4 mil estudantes em cursos de graduação (História, Letras, História da Arte, Ciências Sociais, Pedagogia e Filosofia – Bacharelados e Licenciaturas) e de pós-graduação: Mestrados Acadêmicos em História, Letras, História da Arte, Educação, Educação e Saúde na Infância e Adolescência, Ciências Sociais, Filosofia e Mestrado Profissional em História e Doutorado: Educação e Saúde na Infância e Adolescência e Filosofia. A produção científica do campus Guarulhos já é referência na área de Humanidades em nível nacional e internacional, o que revela sua potencialidade nesse campo de atuação.

 

Sobre o conhecimento produzido na universidade, este pode não fazer sentido se não dialogar com a realidade em que ela está inserida. Neste aspecto, tivemos resultados muito positivos, visando maior interação com o município de Guarulhos, com as seguintes ações: 1) parceria com o Poder Público, cujo principal resultado foi o novo Acordo de Cooperação Técnica firmado com a Prefeitura Municipal em 2015; 2) incentivo à maior apropriação do campus universitário pela cidade, com a visita ao campus de estudantes do ensino médio e a divulgação dos cursos do campus com  a realização do I Dia Aberto, que contou com a visita de mais de 500 estudantes do 3º ano do ensino médio de escolas públicas do bairro do Pimentas; 3) apoiamos incondicionalmente a realização de atividades de Extensão Universitária, tais como o Cursinho Popular, a Cia. de Teatro, o curso de Direitos Humanos e da Cidadania para lideranças comunitárias, o curso de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para refugiados (Memoref) e para médicos estrangeiros e, mais recentemente, o curso Humanidades na Atualidade em parceria com a Câmara Municipal; 4) desenvolvemos relações orgânicas com as escolas públicas da região por meio de programas de estágios e de iniciação à docência, com cursos de formação contínua de professores e com a iniciativa pioneira do Programa de Residência Pedagógica, em parceria com as escolas municipais, que foi assumido como Política Pública do município; 5) buscamos ainda melhorias urbanas no entorno do campus, na segurança pública e no transporte público, em conjunto com a União de Moradores, o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) e a Prefeitura Municipal de Guarulhos, com resultados efetivos obtidos para todos e outras propostas em andamento.

 

Mesmo diante dos desafios presentes em um campus universitário novo e considerando a conjuntura política e econômica do país, foi possível obter muitas conquistas para o campus, para a Unifesp, com consequências naturais para o município de Guarulhos e a região dos Pimentas. Se um dia a presença da universidade pública em nosso município foi ameaçada, hoje a Unifesp fincou raízes em Guarulhos e com possibilidade de interação cada vez maior com a cidade, em especial nas áreas de Educação e Cultura. Trata-se de uma conquista de muitos e da concretização da vontade da maioria que lutou pela permanência da Unifesp em Guarulhos. A condução deste processo, enquanto diretores acadêmicos, nos dá orgulho e a sensação de dever cumprido após quatro anos de mandato.   

 

Contudo, ainda há muito por ser feito. Existem potenciais de ação inexplorados e demandas da sociedade que precisam figurar na agenda central da universidade, sendo a recíproca também verdadeira, ou seja, a universidade constar na agenda da cidade, este é um caminho a ser trilhado. Enquanto as universidades consolidadas no mundo são conhecidas pela secularidade do tempo de existência, o campus Guarulhos da Unifesp é uma criança (com dez anos de idade) que já demonstrou a que veio e continuará contribuindo para o desenvolvimento do entorno, da cidade e, sobretudo, das gerações futuras.

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