Fique ligado: ameaças de despejos em massa em Guarulhos e outras notícias

November 1, 2017

‘DEU A LOUCA’ NO MINISTÉRIO PÚBLICO E NO JUDICIÁRIO EM GUARULHOS

Despejos em massa. São 54 liminares deferidas pelo Judiciário de Guarulhos a pedido do Ministério Público determinando que em 120 dias a Prefeitura remova cerca de 10 mil famílias em praticamente todas as regiões da cidade. São casas construídas em áreas de risco ou proteção ambiental, segundo o Ministério Público. É uma cidade de cerca de 40 mil pessoas que se pretende remover e realocar em 4 meses. Impossível refazer de repente algo que foi construído ao longo de décadas, fruto da desigualdade social, do desemprego, do subemprego, da incapacidade de pagar aluguel, de ao mesmo tempo comprar o terreno e o material de construção, do enorme déficit habitacional persistente apesar de várias políticas governamentais de construção de moradias populares. É tratar o problema social como se fosse um amontoado de papéis que forma um processo judicial.

 

CABUÇU/RECREIO E SÃO JOÃO/BANANAL AS REGIÕES MAIS AMEAÇADAS

A vasta região do Cabuçu e Recreio São Jorge foi sendo povoada de forma irregular ao longo dos últimos 40 anos. Agora o Ministério Público quer, em 120 dias, deslocar de lá cerca de 1.800 famílias. Outro tanto pretende que sejam realocadas na grande região de São João/Bananal, casas também construídas ao longo de décadas. Com cerca de 1.400 famílias a serem despejadas e realocadas na vontade da promotoria pública, vem depois a região do Taboão. E, com cerca de 1.300 famílias, vem a região dos Pimentas. E assim prossegue: Bonsucesso/Ponte Alta/Álamo, mais de 700 famílias; Alvorada, da mesma forma, mais de 700; Vila Rio/Morros/Cocaia, mais de 500; Igualmente Vila Flórida/Monte Carmelo, mais de 500; Cumbica/Nova Cumbica/ Cidade Jd. Cumbica, cerca de 500 casas; Itapegica/São Rafael, mais de 400; Presidente Dutra também mais de 400 casas. A lista não se esgota aí e atinge outras regiões da cidade.

 

MOVIMENTOS SOCIAIS, POLÍTICOS, PREFEITURA CADA UM COMEÇA A REAGIR A SEU MODO

A onda de despejos que quer ser promovida por um setor do estado, MP e Judiciário, começa a ter diversas reações que irão se estender pela sociedade e poder público municipal. Os movimentos de moradia e moradores afetados começam a se organizar para a resistência. Deputados e vereadores do PT começam a convocar audiências públicas. Igrejas começam a defender as comunidades. A Prefeitura reage através de seu setor jurídico recorrendo das decisões provisórias e de primeira instância do Judiciário. Vem muita mobilização pela frente. 

 

MILHARES DE PESSOAS NA MARCHA DE 23 QUILÔMETROS POR MORADIA DE SÃO BERNARDO AO PALÁCIO DOS BANDEIRANTES

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fez ontem uma marcha de 23 quilômetros da ocupação onde estão mais de 7 mil famílias em São Bernardo até o Palácio dos Bandeirantes. Começou de manhã. Foram cerca de dez mil pessoas na marcha à qual se juntaram milhares de outras pessoas à noite. O governo estadual teve que recebê-los e abriu negociações para garantir moradia naquele local ocupado, cujos proprietários há 40 anos não pagam imposto. Nesta semana uma juíza de São Bernardo proibiu o show gratuito que o compositor e cantor Caetano Veloso faria no local. Caetano visitou as famílias acampadas em solidariedade, mas não realizou o show que implicaria numa multa altíssima ao MTST se realizado. Voltou a censura sobre Caetano que ele muito sofreu durante a ditadura militar.

 

NOVEMBRO NEGRO E NOVEMBRO AZUL

Duas campanhas ocorrem em novembro, com duas cores: o negro, contra a discriminação racial; o azul, prevenção e combate ao câncer de próstata. Diz uma historiadora: “Ninguém desconhece que há racismo no Brasil, mas sua prática sempre é atribuída ao ‘outro’.” Diz um médico: “Se o homem não morre de outra causa, será algum dia por câncer de próstata”. Uma é a campanha que luta contra as heranças ainda presentes da escravidão negra: pobreza; preferência na ação policial; dificuldade de acesso aos melhores empregos, ou atividades econômicas, ou cargos públicos; discriminação religiosa; ofensas ou zombarias; etc. Outra é a campanha de saúde que se dirige aos homens para prevenir e combater o segundo câncer que mais os mata. Esta campanha sucede ao Outubro Rosa, dirigido às mulheres.

 

UM MILHÃO E 400 MIL DEIXARAM DE CONTRIBUIR PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL

O governo do vice em exercício, Michel Temer, continua tentando cortar o acesso à Previdência Social aumentando a idade mínima para 65 anos dos homens e 62 anos das mulheres, e subindo de 15 para 25 anos o tempo mínimo de contribuição. Enquanto isso, cerca de 1 milhão e 400 mil trabalhadores desempregados ou sem renda suficiente deixaram de contribuir para a Previdência Social nos últimos 3 anos e 10 meses. Isso significa que o futuro destas pessoas quando idosas terá mais dificuldades do que a atual geração que teve acesso ao sistema previdenciário público. A taxa de desemprego nacional continua semelhante ao final dos anos de 1990, em 12,4% segundo o IBGE divulgou ontem (31). São cerca de 13 milhões de pessoas procurando emprego e não encontrando. Emprego informal, bicos, fugir do rapa, pedir esmola em faróis, morar nas ruas, expressam a tragédia atual de dezenas de milhões de pessoas.

 

BRIGA POR LEGISLAÇÃO CONTRAPÕE TAXISTAS E UBERISTAS

Uber, Cabify, 99, são as novas grandes empresas multinacionais que se aproveitam da crise de desemprego mundial e dos altos preços das corridas dos tradicionais táxis para ganhar muito dinheiro e precarizar as relações trabalhistas. De outro lado o espírito corporativo dos taxistas procura defender sua renda e seu mercado de trabalho. Difícil dilema na sociedade atual. Daí a enorme polêmica que percorre as cidades e está agora no Congresso Nacional, sob forte pressão das organizações que protegem ambos os lados do conflito. Projeto de lei aprovado na Câmara federal praticamente igualava as exigências para os uberistas assemelhando-as às dos taxistas (placas vermelhas, atuação só na cidade da placa do veículo, ser proprietário do carro, regulamentação a cargo das prefeituras). O Senado ontem deu um recuo a favor dos uberistas. Volta agora para a Câmara Federal o projeto de lei em discussão. 

 

IGREJA PRESBITERIANA DE SÃO PAULO CRITICA BANCADA EVANGÉLICA

A propósito dos 500 anos da Reforma Luterana, várias igrejas evangélicas reagiram à onda de políticos pastores que percorre o Brasil. Em um destes pronunciamentos, a Igreja Presbiteriana de São Paulo (Primeira Igreja Presbiteriana Independente) declara em manifesto divulgado ontem sua preocupação “com o uso cada vez mais freqüente de títulos religiosos por parte de candidatos que se pretendem representantes de cristãos religiosos”. E prossegue referindo-se à bancada evangélica no Congresso Nacional e em outras casas legislativas: “Ninguém está autorizado a falar ou representar, na política partidária, os cristãos evangélicos”. O gru360.com está nesta semana dos 500 anos da Reforma Luterana com uma série especial de entrevistas na seção Curta um Curta. Foram entrevistados pastores das igrejas Luterana, Batista, Presbiteriana, da Assembleia de Deus, e um padre da Igreja Católica.

 

Saiba mais em www.gru360.com

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

© 2017 gru360 / Aqui Guarulhos se encontra em 360 Graus