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FIQUE LIGADO: CHUVAS EM GUARULHOS DEIXARAM 400 DESABRIGADOS, ATO CONTRA ATERRO SANITÁRIO ACONTECEU NESTE DOMINGO, PODER ECONÔMICO DAS MINERADORAS INTIMIDA FISCALIZAÇÃO MAIS RÍGIDA E MAIS NOTÍCIAS

January 28, 2019

CHUVAS EM GUARULHOS INVADIRAM CASAS E DEIXARAM 400 DESABRIGADOS

Na quinta (25) e na sexta (26), fortes chuvas atingiram Guarulhos e causaram inundações e alagamentos em vários pontos. Os problemas começaram na quinta-feira, mas a situação mais grave aconteceu no fim da tarde de sexta-feira (25).  A enchente atingiu grande número de bairros da cidade. A bacia do Rio Baquirivu, com vários córregos afluentes, foi a mais afetada. Começando no Jardim Álamo em Guarulhos, divisa com Arujá, o rio Baquirivu foi inundando ruas e casas. No Jardim Presidente Dutra, na comunidade da rua Maria Paula Motta, antiga rua Cem, as conseqüências foram bastante graves. Na região costeira do Aeroporto, desde Cidade Seródio, Malvinas, até o Taboão, o rio Baquirivu e seus afluentes transbordaram. Na região do São João houve problemas graves no Jardim São Geraldo, Jardim Lenize e Jardim São João. Segundo a Defesa Civil, aproximadamente 400 pessoas ficaram desabrigadas, a maioria foi acolhida na casa de familiares, mas alguns se abrigaram no CEU Presidente Dutra.


CANALIZAÇÃO DO BAQUIRIVU EM ARUJÁ, UMA DAS CAUSAS DAS INUNDAÇÕES
Ainda no final da década de 1990, as relações políticas próximas do governo do estado com o prefeito de Arujá levaram a um erro estrutural que o município de Guarulhos paga até hoje. O rio Baquirivu foi canalizado em Arujá, contra toda técnica recomendada, pois aquela cidade está na parte alta do Baquirivu. Toda canalização tem que começar na parte baixa (jusante ou vazante) indo para a alta (montante). Com a canalização feita a montante, a velocidade das águas é maior lá, e se reduz quando chega na parte mais baixa onde não há canalização, provocando as inundações pela concentração de água a uma velocidade de vazão mais baixa. No município de Guarulhos, o Baquirivu só foi canalizado em parte próxima à Rodovia Hélio Smidt que liga a Dutra e Ayrton Senna ao aeroporto. Existe uma longa extensão entre Arujá e as margens desta rodovia por isso sempre está sujeita às inundações.

ATO CONTRA ATERRO SANITÁRIO EM GUARULHOS ACONTECEU NESTE DOMINGO

Na tarde deste domingo (27), os moradores de uma das regiões afetadas pelo aterro sanitário de Guarulhos, que deslizou no final de 2018 e expôs uma montanha de lixo, fizeram uma manifestação na Praça Tranguarulhense, no Parque Continental. Com frases como “queremos uma cidade melhor e não um lixão maior”, o ato contou com a participação de cerca de 200 pessoas, entre moradores dos Parques Continentais e arredores, ambientalistas, lideranças de movimentos sociais e parlamentares. Entre as reivindicações desse grupo está uma maior rapidez na solução dos problemas causados pelo deslizamento do aterro sanitário, participar das investigações sobre as causas do desabamento, e a não instalação de um novo e gigantesco aterro de lixo na região. 

MORADORES CONTINUAM SOFRENDO CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA DO ATERRO

Os manifestantes também levantaram o problema de que aumentou o número de pessoas que adoeceram por conta das conseqüências do lixão que ficou exposto. Como prova disso, falaram do aumento da demanda nos postos de saúde próximos. Afirmam que a Prefeitura tem contido o mau cheiro, embora em dias de muito sol e calor nem isto acontece, mas os gases continuam sendo produzidos pelos rejeitos e há forte proliferação de moscas na região. As lideranças alegam que um novo aterro na região, já aprovado pela atual gestão da Prefeitura e no aguardo de decisão estadual seria dez vezes maior que o atual. Alertam que o desastre ocorrido reforça a necessidade de barrar esta pretensão de abrigar o lixo da Capital e de 7 cidades em Guarulhos e numa área de proteção ambiental.


PODER ECONÔMICO DAS MINERADORAS INTIMIDA FISCALIZAÇÃO MAIS RÍGIDA
A mineração representa quase 10% das riquezas produzidas a cada ano no estado de Minas Gerais (o PIB mineiro). Minas é responsável por mais da metade da produção de minerais metálicos do país. Por ano, cerca de 300 municípios mineradores vendem no mercado quase 200 milhões de toneladas de minério de ferro. Os lucros, porém, camuflam uma realidade de risco constante no plano socioambiental. De acordo com o Banco de Dados de Barragens da Fundação Estadual do Meio Ambiente, Minas possui 698 barragens de rejeitos minerais, sendo que duas dezenas delas não têm estabilidade garantida. Continue lendo depois da propaganda... 

BARRAGEM QUE ROMPEU EM BRUMADINHO FOI APROVADA MESMO COM PENDÊNCIAS DE INFORMAÇÃO DA SEGURANÇA

Em dezembro, o representante do IBAMA em Minas Gerais, Julio César Dutra Grillo, participou de uma reunião na Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que terminou com a concessão de uma licença para a continuidade de operações da Vale na Mina do Córrego do Feijão, que um mês depois produziria a tragédia de Brumadinho. Ele alertou que as barragens da mineradora ofereciam risco aos moradores da região e se absteve de votar. O único voto contrário, entre os oito favoráveis à demanda da Vale, foi o da ambientalista Maria Teresa Corujo, integrante do Fórum Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas. “A empresa deixou de prestar várias informações. Essas pendências, por si só, já configuravam motivo para não licenciar”, afirmou ela.


LICENÇAS SÃO CONCEDIDAS COM DIAGNÓSTICOS ELABORADOS PELAS PROPRIAS MINERADORAS
Fiscalização institucional insuficiente, impedimento de entrada da comunidade para fiscalizar, licenças concedidas com base em diagnósticos elaborados pelas empresas interessadas, sem a devida checagem ou vistorias de órgãos governamentais, abrem terreno para a mineração predatória. Foi essa a constatação de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), autarquia responsável pelas inspeções de segurança em barragens no Brasil. A auditoria foi feita depois do rompimento três anos atrás da barragem de Fundão, operada pela Samarco/Vale, que causou 19 mortes em Mariana e derramou 40 milhões de metros cúbicos de lama no Rio Doce. Para o TCU, o DNPM se mostra omisso e conta com estrutura precária para fiscalizar as mineradoras.


NOVO GOVERNO FEDERAL SE ELEGEU PROMETENDO MENOS FISCALIZAÇÃO
Embora o governo federal se mobilize agora para minorar a tragédia de Brumadinho, durante a campanha eleitoral o então candidato a presidente, hoje no poder, dizia que o país tinha que dar mais liberdade às empresas, reduzir os entraves para os investimentos, punir fiscais que aplicassem multas exageradas. Ele mesmo criticava os fiscais que o multaram quando deputado por praticar pesca ilegal. Na presidência, nomeou para o Ministério do Meio Ambiente alguém que pensa como ele pregava, um ministro indicado por empresários do agronegócio. A pressão da sociedade com a tragédia de Brumadinho talvez seja inibidora desta linha antiecológica pregada na campanha por aqueles que hoje detêm o poder.

 

 

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